06/06/2018

Argentina decide cancelar amistoso contra Israel após protestos e ameaças de palestinos

Camisas da Argentina sujas de tinta vermelho, retenção de ingressos e até pedido de crianças levaram ao cancelamento da partida.

A Associação de Futebol Argentino (AFA) decidiu cancelar o amistoso contra a Seleção de Israel, que seria realizado no próximo sábado (9/6) em Jerusalém. A decisão aconteceu após protestos e até ameaças de militantes, além das reações internacionais sobre a partida.

Na última terça-feira (5/6), cerca de 30 manifestantes da causa palestina foram até à porta do Centro de Treinamento do Barcelona, onde a Argentina realiza treino antes de viajar para a Copa do Mundo, e levaram camisetas da Seleção sujas com tintas vermelhas, indicando que os jogadores poderiam ser machucados durante sua estadia em Israel.

A partida aconteceria em momento sensível nas relações entre israelenses e palestinos, dois povos que consideram Jerusalém sua capital. O governo dos Estados Unidos decidiu levar a embaixada em Israel para a cidade, o que causou indignação na Palestina.

Jornais e analistas israelenses consideraram o cancelamento um triunfo para o movimento BDS (que promove o Boicote, Desinvestimento e Sanções a Israel até que termine a ocupação).

Dinheiro e Nostalgia

O jogo seria usado pelo governo como parte das comemorações dos 70 anos do Estado de Israel. A Federação do país pagaria à AFA US$ 2 milhões (R$ 7,6 milhões). O presidente da AFA, Claudio Tapia, lamentou a perda do dinheiro, e relembrou que na campanha do título, em 1986, Maradona e companhia jogaram contra Israel e visitaram o Mura das Lamentações, onde a visita já estava planejada.

No domingo (3/6), o presidente da Federação Palestina de Futebol, Jibril Rayub, divulgou o conteúdo de uma carta dirigida ao seu colega argentino, Claudio Tapia, na qual pediu que o jogo não fosse realizado. “O Governo israelense transformou um jogo de futebol em uma arma política. Como anunciou amplamente a imprensa argentina, a partida será realizada para comemorar o 70º aniversário do Estado de Israel”, advertiu Rayub na carta.

Pedido

Cerca de 70 crianças palestinas se juntaram e assinaram uma carta endereçada ao astro argentino Lionel Messi. No texto, afirmam que, se ele jogasse, faria isso “sobre as sepulturas” de seus antepassados, pois o estádio onde o jogo estava marcado –o Teddy Kollek, em Jerusalém– está localizado em um lugar de onde os palestinos foram deslocados, em 1948, durante a guerra que se seguiu à criação de Israel.

“Você virá jogar com seus amigos em Malha, em um estádio construído sobre nossa aldeia destruída”, escreveram no texto entregue à legação diplomática argentina em Ramallah. Os organizadores do protesto decidiram que os signatários fossem 70 crianças, uma para cada ano de Nakba, o “desastre”, que para os palestinos representou o nascimento do Estado hebreu.

No último domingo (3/6) os ingressos para a partida foram colocados à venda e em 20 minutos se esgotaram. Segundo os dados publicados pela imprensa israelense, apenas 15.000 dos 31.000 ingressos foram colocados à venda, o que fez com que seus preços quintuplicassem em poucas horas para a revenda.

Israel 

O presidente de Israel, Reuven Rivlin, lamentou nesta quarta-feira (6/6) o cancelamento do amistoso. Segundo o mandatário, os jogadores da Argentina acabaram cedendo a pressão dos inimigos de Israel.

“É uma pena que as estrelas do futebol argentino tenham cedido à pressão dos inimigos de Israel, cujo único objetivo é prejudicar o direito básico de Israel à autodefesa e provocar sua aniquilação. Não cederemos às vozes antissemitas e apoio terrorista”, escreveu em sua conta do Twitter.

Fonte: Dia Online