29/06/2018

Amigo apresenta trabalho e advogada assassinada recebe título póstumo de mestrado

A ideia partiu da professora e amiga Fernanda Nora e o trabalho foi apresentado por um amigo.

A advogada Laís Fernanda Araújo Silva, morta aos 30 anos durante tentativa de assalto em Goiânia, recebeu o título póstumo de mestrado em Tecnologia de Processos Sustentáveis na manhã desta sexta-feira (29/6). Um amigo apresentou sua dissertação, que já estava pronta, no Instituto Federal de Goiás (IFG).

Laís também já havia concluído o curso técnico em saneamento ambiental pelo IFG. O orientador de Laís também participou da homenagem, por videoconferência do Canadá e se mostrou emocionado.

“Ela teve um pouco de dificuldade em conciliar as áreas do direito e de saneamento básico, mas conseguiu. Ela era mais que uma aluna. [Era] uma filha, uma amiga”, disse, ao site G1, Wesley.

Após a apresentação, o trabalho foi avaliado e aprovado. João Carlos da Silva e Odete Mary Ferreira de Araújo, pais de Laís, receberam o diploma de mestrado da filha, uma placa e flores.

Advogada morta durante assalto, recebe título póstumo após amigo apresentar sua dissertação, em Goiânia
Foto: Sílvio Túlio/G1

A professora e amiga Fernanda Nora, que leciona na Universidade Federal de Goiás (UFG) deu a ideia da apresentação e contatou a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), pedindo a autorização.

A Capes explicou por meio de uma nota, o inciso VI do art.53 da lei n° 9.394/1996, que fala sobre autonomia universitária, permite às instituições de ensino superior concederem titulações simbólicas para homenagear alunos.

“Primeiramente, cabe mencionar que neste caso estamos tratando de direito personalíssimo. Sabe-se que os direitos da personalidade são aqueles comuns da existência, sendo simples permissões dadas pela norma jurídica a cada pessoa, de defender um bem que é seu por natureza, de forma primordial e direta; portanto são intransmissíveis”, afirmou a instituição em nota.

Relembre o caso

A advogada Laís Fernanda Araújo Silva, de 30 anos, foi assassinada a tiros em maio deste ano, enquanto procurava uma vaga para estacionar, no Setor Alto da Glória, em Goiânia. Laís Fernanda era assessora jurídica do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

Além de advogada, a mulher era gestora ambiental e cursava o mestrado em Tecnologia de Processos Sustentáveis, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG). Nas redes sociais da advogada, parentes e amigos escreveram mensagens de despedida.

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que dois homens fogem, depois da morte da advogada Laís Fernanda Araújo Silva.

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O juiz Lionardo José de Oliveira, do Juizado da Infância e da Juventude de Goiânia, decidiu que os dois adolescentes – de 14 e 16 anos – envolvidos no assassinato, irão ficar apreendidos pelo prazo máximo de três anos de internação, com avaliação a cada seis meses.

De acordo com a sentença, os menores foram condenados por atos infracionais análogos aos crimes de associação criminosa, latrocínio consumado e porte ilegal de arma de fogo.

Os outros dois envolvidos foram presos. O homem identificado como Leandro Antonelle Vicente da Silva, de 38 anos, confessou participação no crime, assim como uma mulher, que também foi apreendida.

Fonte: Dia Online