07/07/2018

Procuradoria da República pede quebra de sigilo de Marconi Perillo

Segundo o delator, o repasse foi feito por meio do “departamento da propina” da empreiteira com o uso do codinome “calado”.

A Procuradoria-Geral da República, solicitou a quebra de sigilo telefônico do ex-governador do Estado de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Segundo informa o Estadão, o pedido foi feito ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e contava também com dois delatores da Odebrecht.

Juntamente ao nome de Marconi, o ex-tesoureiro de Perillo Jayme Rincón, Fernando Cunha Reis e Alexandre Barradas são alvo de investigação por citações de delatores da Odebrecht sobre possíveis repasse de propina durante campanhas eleitorais.

Em abril, o caso chegou a ser enviado para a Justiça Federal de Goiás, assim que Perillo deixou seu cargo como governador, para se tornar candidato ao Senado.

“Considerando os indícios de crime e a necessidade de apuração do vínculo mantido entre os colaboradores e investigados, deve ser afastado o sigilo das comunicações telefônicas referente aos terminais telefônicos utilizados nos anos de 2010 e 2014 por Fernando Cunha Reis, Alexandre Barradas, Marconi Perillo e Jayme Rincon”, disse o pedido assinado pelo vice-procurador-geral Luciano Mariz Maia.

Fernando Cunha Reis e Alexandre Barradas são ex-funcionários da Odebrecht que citaram na delação o repasse a Marconi de R$ 10 milhões, sendo R$ 2 milhões em 2010 e R$ 8 milhões em 2014.

Rincón foi tesoureiro de Marconi Perillo e atualmente é o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop).

Procuradoria da República pede quebra de sigilo de Marconi Perillo

“Marconi Perillo, por intermédio de Jayme Rincón, teria recebido ilicitamente recursos para suas campanhas eleitorais ao governo do Estado de Goiás nos anos de 2010 e 2014, em troca de patrocinar os interesses da Odebrecht no Estado, especificamente os interesses da Odebrecht Ambiental na área de saneamento básico”, diz o pedido de quebra de sigilo.

Procuradoria da República pede quebra de sigilo de Marconi Perillo

“Não conheço pedido de quebra de sigilo. Marconi está muito tranquilo em relação a esse inquérito. Se efetivamente for quebrado o sigilo, penso que irá produzir uma prova positiva para o Marconi”, afirmou o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, defensor do ex-governador.

A Procuradoria também ressaltou no pedido para a quebra do sigilo, que durante o encontro de Marconi e Reis em 2010, Perillo teria pedido R$ 2 milhões para sua campanha,“se comprometendo a desenvolver projetos de água e esgoto que eram de interesse” da empresa.

Segundo o delator, o repasse foi feito por meio do “departamento da propina” da empreiteira com o uso do codinome “calado”.

Fonte: Dia Online