11/07/2018

Ações da Fiat caem com ameaça de greve dos funcionários após contratação de Cristiano Ronaldo

Dinheiro gastado na contratação de jogadores, entre eles Cristiano Ronaldo, foi motivo de protesto.

Em meio a um mau humor generalizado do setor automotivo por causa da escalada da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, as ações da Fiat-Chrysler (FCA) caíam 2,86%, às 11h04 (de Brasília), cotadas a 16,31 euros.

No mercado financeiro, no entanto, especula-se que, no caso dessa montadora italiana, a desvalorização também estaria relacionada a uma ameaça de greve dos trabalhadores da empresa em protesto contra a contratação do jogador de Cristiano Ronaldo pela Juventus.

A Fiat é uma das patrocinadoras da Juventus, equipe italiana que o jogador português se transferiu.

A paralisação, prevista para ocorrer entre as 22h do próximo domingo (15/7) e as 18h de terça-feira (17/7) na fábrica de Melfi, foi convocada pelo sindicato Unione Sindicate di Base sob a alegação de que a transferência do atleta, que envolve altos valores, teria sido intermediada pela fabricante de automóveis, patrocinadora do clube.

Num comunicado, a categoria diz que “não é aceitável” que os trabalhadores continuem a se sacrificar economicamente, enquanto a empresa gasta “milhões de euros com um jogador”. O documento relata que a instrução da companhia é a de que as famílias “apertem o cinto”, mas depois investe grandes montantes com apenas um nome.

“Acham justo? É normal uma pessoa ganhar milhões, enquanto milhares de famílias no meio do mês já quase não têm dinheiro?”, questionou a entidade, acrescentando que essa diferença de tratamento não pode continuar.

O sindicato prossegue dizendo que os trabalhadores da Fiat “deram uma fortuna” nas últimas três gerações a seus patrões, que, no entanto, foi retribuída com uma “vida de miséria”. “A empresa deveria colocar os interesses dos seus empregados em primeiro lugar, mas se isso não acontece é porque preferem o mundo do futebol e do entretenimento em detrimento do resto.”

Cristiano Ronaldo deve se mudar para Turim após uma negociação no valor de 100 milhões de euros (cerca de R$ 450 milhões) com o espanhol Real Madrid e que estará em vigor até 20 de junho de 2022. O português atuará pela primeira vez no futebol italiano.

O atacante começou sua carreira no Sporting de Portugal e, depois, jogou na Inglaterra, pelo Manchester United, de onde saiu para reforçar o Real por meio de outra transação multimilionária em 2009.

OS AGNELLI E A FIAT 

Presidente da Juventus, Andrea Agnelli é hoje membro do conselho de diretores da Fiat-Chrysler e é um dos herdeiros do império criado pela famosa montadora italiana, fundada por Giovanni Agnelli, em 1899.

O pai de Andrea, Umberto Agnelli, foi CEO da Fiat entre 1970 e 1976, senador italiano e também já presidiu a Juventus. Antes disso, Gianni Agnelli, irmão de Umberto e neto de Giovanni, chefiou a montadora entre 1966 e 2003, ano de sua morte.

Andrea está na presidência do clube mais popular da Itália desde maio de 2010 e é membro do conselho de diretores da fábrica de automóveis desde maio 2004, assim como tem este mesmo posto na Fiat-Chrysler desde outubro de 2014.

A ligação entre a Juventus e a Fiat-Chrysler é intrínseca. A Jeep, marca de propriedade deste grupo FCA, rende um patrocínio de 26,5 milhões de euros anuais ao clube para estampar o seu nome em local nobre do uniforme da equipe de Turim. E as duas empresas tem o mesmo acionista majoritário: a família Agnelli.

Fonte: