10/08/2018

Polêmico e com discurso antissocialista, Cabo Daciolo era membro do PSOL

O candidato foi expulso do partido em 2015.

Candidato à Presidência pelo partido Patriota, o Cabo Daciolo até ontem (9/8) era um desconhecido no quadro de concorrentes do cargo de maior importância do Brasil.

Entretanto, segundo dados do Google Trends, o bombeiro militar e político foi o que mais cresceu nos principais alvos de pesquisa no site de buscas depois que participou do debate na TV Bandeirantes, ao lado dos outros candidatos.

Daciolo teve muitas falas no debate que aconteceu na TV Band, na última quinta, contra, segundo palavras do candidato, “os males do Socialismo e do Comunismo”. O que pouca gente sabe, é que o Cabo Daciolo era membro do Partido Socialismo e Liberdade, o PSOL.

Até o ano de 2015, Daciolo integrava o partido considerado por cientistas políticos como o mais à esquerda no Brasil e declaradamente socialista, o PSOL. Entretanto, Daciolo foi expulso pelo Diretório Nacional do partido, no dia 16 de maio do mesmo ano, por 54 votos a um.

O processo de expulsão começou depois que o militar apresentou uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), apelidada por ele de “PEC dos Apóstolos”, que sugere alterar um parágrafo na Carta Magna: em vez de determinar que “todo o poder emana do povo”, como é atualmente, estabeleceria que “todo o poder emana de Deus”, o que fere a concepção do PSOL na defesa do Estado laico.

Mas a coisa se agravou de vez com o discurso do deputado, no Plenário, em defesa dos PMs  que foram acusados de envolvimento no sumiço, tortura e morte do pedreiro Amarildo de Souza, no ano de 2013.

De acordo com o parecer da comissão de ética, publicado na época, a postura do deputado Cabo Daciolo de defender os policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) ia na contramão do engajamento de militância do partido na busca de Amarildo (“Cadê o Amarildo?).

Cabo Daciolo foi eleito, pela primeira vez, em 2014, quando começou sua carreira na política. O bombeiro militar foi convidado para se filiar ao partido devido à sua atuação na liderança da greve dos bombeiros no Rio de Janeiro, no ano de 2011. Na época, ele comandou a ocupação do Quartel General da corporação e o acampamento nas escadarias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).